segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Fender Stratocaster Mexicana: um breve review




E aí pessoal, beleza?
Tô acordado mesmo, essa insônia minha só passa com duas coisas: algumas cervejas ou produzir alguma coisa útil. Minha cabeça está sempre a mil.
Vim para o quarto do computador e peguei minha Fender Stratocaster MIM (Made in Mexico) pra tocar um pouco. Satisfação imensa! Daí a idéia de fazer esse post para falar sobre esta guitarra, que já vi sendo massacrada, humilhada, detonada, cuspida e escarrada em alguns blogs e fóruns aqui pela net, principalmente por amantes da Fender Made in USA, embora alguns Zé Roela da vida que nunca triscaram um dedo numa Fender Mexicana também se prestem a falar mal dela. Mas como eu não gosto de injustiças…
Primeiramente, eu penso que um dono de Fender Made in USA tem mesmo que puxar o saco da sua princesinha. Afinal, uma guitarra que é vendida nova pela bagatela de mais de R$ 3500,00 reais (isto se não for do modelo Custom Shop – mais de R$ 5000,00) tem que ser top de linha ou o cara que pagou é um verdadeiro zé mané ou uma típica ovelhinha do consumismo capitalista.
Já quanto a uma FENDER MIM, que nova sai pelo preço de mais ou menos R$ 2500,00, nada mais justo e despretencioso do que honrá-la com o título de “guitarra decente”. Posso titulá-la desta forma pois, já tive outras guitarras – 01 Jennifer, 01 Squier Stratocaster California Series braço em maple e 01 Squier Deluxe Quilt Maple Top com braço em maple e escala em rosewood – e posso afirmar com absoluta certeza que, apesar de as Squier terem alguns pontos a favor, são guitarras indecentes, ou seja, braço não tem estabilidade (California Series), a alavanca não pode ser usada senão a ponte se desloca da madeira (Squier Deluxe), fora que a construção e acabamento são dignos de mão de obra barata e a afinação é super instável.
Não vou fazer como outros donos de Fender Mexicana que dizem que a diferença de uma FENDER MADE IN MEXICO para uma MADE IN USA seja apenas cerca de 300 Km, ou seja, o lado da fronteira onde elas são fabricadas. Nem vou gastar meus dedos neste post para fazer comparações entre as duas.
Porém, seria injusto não mencionar que as Fender American com certeza apresentam alguns itens como pintura, acabamento, envernizamento, captação e ferragens bem melhores do que as Mexicanas, segundo opiniões de proprietários. Enfim, se você pode gastar 1500 ou 2000 cobres a mais para ter uma guitarra mais bonita e peças top de linha, feche os olhos, abra a mão e seja feliz.
Agora, se você não tem esse capim sobrando mas quer pegar uma guitarra que não te passe raiva e lhe agrade os dedos e ouvidos, então pode pegar sua Fender Mexican sem medo de se arrepender.


Braço em Maple
Uma dica: toque antes de levar SUA Fender Mexicana pra casa, sinta o braço, escute o timbre, veja se as ferragens não estão detonadas (no caso das usadas ou mesmo das novas que ficam mal expostas e mal armazenadas nas lojas). Outra dica: veja qual é a madeira da escala do braço – em maple (cor clara) ou rosewood (escala escura) – e escolha de acordo com a sua preferência – tanto estética quanto timbrística – pois isto realmente influenciará na sua escolha de uma guitarra para, digamos assim, assumir um matrimônio.
Há a polêmica de que as Fender Made in Japan sejam melhores do que as mexicanas. O que ouvi de alguns amigos e pude perceber que é verdade, é que as fender japonesas geralmente são uma boa opção para músicos que tocam heavy metal – talvez por isso tenha sido feita uma série com ponte tipo floyd rose – mas que perdem para as Mexicanas no quesito versatilidade. Eu particularmente não conheço as Fender Japonesas, mas se elas forem assim tão melhores do que as suas irmãs “chicanas” então deve ser uma Puta Guitarra! pois a minha Fender Chicana tem um fiel som de Strato e é muito versátil.

Abaixo os dois únicos vídeos que fiz com ela com os captadores originais (o segundo está bem escuro, mas dá pra sacar do que ela é capaz):





Sem mais considerações, vamos ao que interessa.
REVIEW: Fender Stratocaster Made in Mexico [Ano de fabricação: 96/97]
Essa análise é baseada em minha própria guitarra. Outras guitarras da mesma marca, série, ano e local de fabricação podem apresentar características diferentes e até mesmo um leve desvio no "padrão de qualidade".
Visual: o corpo é de um verde meio-azulado de pintura sólida, meio perolizado com escudo branco. Eu chamaria de verde céu ou verde mar, mas não verde água, pois é mais escura um pouco. O braço e a escala são de maple, ou seja, claras e com marcação das casas do tipo bolinhas pretas. As tarraxas não têm visual vintage, diferentemente da ponte. O envernizamento do braço é bem feito, dando um visual bonito de limpeza. A alavanca e a chave seletora, assim como os Knobs de volume e tone tem um acabamento melhor do que das Squier (Autorizadas a utilizar o nome by Fender, pra quem não sabe, mas são produzidas sem o padrão de qualidade das FENDER) sendo que as capinhas de plástico destas peças são mais achatadas e mais "gordinhas". O Headstock forma com o braço uma bonita linha de traço suave de ângulo não muito agudo. O acabamento (construção) do braço olhando de qualquer ângulo transmite uma aparência visual bem anatômica, e isto pode ser sentido tocando.
Madeiras: como comprei a minha guita usada não sei dizer ao certo a madeira do corpo, mas suponho seja Alder de peça única. O braço é de maple com escala em maple.
Ferragens: os trastes são bem arredondados e bem nivelados e aparentam ser de um metal de boa qualidade e não apresentam marcas de pressão das cordas. As tarraxas e a ponte formam um conjunto bom para manter a afinação e levam o nome Fender. A alavanca é bem anatômica, leve fina e comprida.
Captação e circuitos: Captadores 3 Single-Coil, não sei dizer quais são os captadores, mas sei que são originais e mantêm boas características, quais sejam o timbre de Fender Strato, bom Sustain e boa equalização de graves médios e agudos. O timbre com distorção mantém o som de Strato e apresenta uma transparência muito grande das notas, sem embolar ou saturar demais o som, e isto favorece o som de acordes com distorção, mas o grande diferencial mesmo é o timbre mais cleandesta guitarra que realmente faz valer a pena cada centavo gasto nela. Os potenciômetros de volume e os de tone em conjunto com a chave seletora de captadores funcionam muito bem e realmente permitem uma gama diversa de timbres o que torna esta guitarra muito versátil para aplicação em vários estilos musicais. Os captadores apresentam aquele ruído [HUM...] característico de captadores single-coil, sendo este talvez o único aspecto a desejar que pude perceber quanto à captação e parte elétrica da minha FENDER MIM, mas é normal para uma strato. Agora, os captadores originais desta guitarra não conferem muito peso ao som. Para um som mais pesado é interessante trocar os captadores dessa guitarra por uns mais pancada.
Afinação: apresenta uma estabilidade muito boa, suporta vários bends e daria tranquilo para tocar umas três músicas seguidas antes de ter de dar uma acertada na afinação. Quando uso a alavanca desafina um pouco, mas geralmente de forma homogênea, i.e, todas as cordas desafinam proporcionalmente, mas isto é mesmo característico das pontes trêmolo de guitas Stratocaster.
Características timbrísticas: boa definição das notas, harmônicos bem definidos – nem muito “magros” nem muito “gordos” – transparência e clareza das notas – até mesmo em acordes tocados com distorção. Timbre bem agudo, o que se deve muito ao braço e escala em maple, sem deixar a desejar nos graves e médios. Som estalado de strato (bem característico do blues) com a chave seletora nas duas posições inferiores, melado ou morno (romântico, MPB) com a chave na posição do meio e mais gordo (jazz) nas duas posições superiores. Os botões de “tone” têm maior influência nos timbres “clean”, mas o legal é que tanto com a chave seletora ligada para o captador da ponte quanto para o do braço os botões de tone oferecem efetivamente a possibilidade de deixar o som ainda mais grave ou mais agudo, o que permite aplicar nuances sutilmente sobre cada configuração de captadores. Por isto o timbre é tão versátil. Outra característica forte do timbre é o sustain que se for melhor vira festa. Algumas pessoas vão dizer: Tá, agora pensa que é uma Les Paul!. Eu sei muito bem o que é uma Les Paul, mas dentro dos parâmetros de uma strato, tem um sustain muito bom.
Tocabilidade: ótima! me limitarei a qualificar a tocabilidade pelo braço da guitarra, é muito anatômico e facilita a execução consideravelmente, principalmente nas últimas casas que não são demasiado estreitas. Fora que a construção forma uma curvatura do braço, principalmente na parte de trás, muito sútil, sem ser achatado ou arredondado ao extremo, fora que o braço não é demasiado magro nem gordo e favorece a execução de diferentes técnicas. O espaçamento de cordas também é muito bom, fora o acabamento, colocação, alinhamento e nivelamento dos trastes que não deixa nada a desejar. A curvatura da escala também não é demasiado plana ou arredondada. Enfim, o braço oferece excelente tocabilidade e acho que é o que mais valeu a pena nessa guitarra, de olhos fechados. A única coisa que eu gostaria é que a escala tivesse 22 trastes, pois só tem 21.
Upgrades necessários: varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas trocam toda a captação, instalam pontes tipo Wilkinson, tipo Floyd Rose, escalopam o braço, colocam trastes jumbo. Eu mandaria instalar um roller nut e um jogo de tarraxas com trava da Planet Waves para melhorar ainda mais a afinação, pois um amigo meu já experimentou e aprovou muito, além de receber esta forte recomendação de um luthier. Mandaria fazer uma blindagem para reduzir o ruído HUM que é característico dos captadores single coil. Pintaria o corpo da guita na cor creme ou artic white, pois acho uma das cores mais bonitas para guitarras strato e talvez, só talvez mesmo, colocaria um captador tipo single-bucker Hot Hails da Seymour Duncan (formato de single com duas bobinas) na ponte para um maior ganho de harmônicos e em conjunto um Knob de volume do tipo PUSH-PULL para defasar o captador da ponte de humbucker para single.
Conclusão: A Fender MIM (Made in Mexico) é uma excelente guitarra Stratocaster, com um timbre, tocabilidade, captação, afinação e acabamento que fazem valer cada centavo investido nela. Além disso, são mais valorizadas para comercialização, devido à reputação da marca Fender. Alguns upgrades seriam necessários para elevar mais ainda o nível desta guitarra e não representariam de forma alguma desperdício de dinheiro. Eu a considero como uma guitarra para o resto da minha humilde vida, mesmo que eu venha a ter uma carreira musical reconhecida
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6 comentários:

  1. Aí velhinho, concordo com vc tenho uma MIM de luxe top da top rsrsrsr, captação seymo duncan arradora, não perde muito pra USA não apesar de que as Plus e as de luxe são as que realmente não se pode comparar com uma MIM, por que não se trata só acessórios, tem muito mais , madeira climatizada e envelhecida dentre outros detalhes que pra um instrumento de relação custo beneficio mais acessivel não compense esse trato por isso o preço inferior, no mais só tenho a dizer que das fenders fabricadas por aí a MIM é a top das 2as linhas., Valeu? Um abraço e continue malhando sua guita.

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    1. Valeu Kadosh! Muitas pessoas acreditam que as Fender mexicanas sejam guitarras de má construção. Eu já tive Squiers e já toquei em Fenders American Standard e mexicanas, fora outras stratos de mais baixo custo, como Strinberg, Samick, Eagle e Rocky. Posso dizer sem dúvida que as Squier não valem o preço que custam, pois se assemelham a essas stratos de R$ 400,00 sendo que custam mais caro. Agora a Fender mexicana é uma guitarra de construção muito boa e preço intermediário. Acho que só perdem pra American Standard no quesito captadores e também porque as mexicanas só tem 21 trastes, fora isso, não vejo muita diferença. Agora quanto ao que você falou das Deluxe, é isso mesmo, o nome já diz tudo. Apesar de que acho que o diferencial da Deluxe fica mais por conta de um acabamento final mais top de linha e peças mais luxuosas, como trastes dourados, pintura mais cara e mais detalhes. Acredito que em termos de timbre o fato de serem madeiras climatizadas não vai alterar tanto assim o timbre (a não ser que tenham captação melhor). Um abraço.

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  2. Muito bom o seu post amigo, gostei muito. Estou pegando uma Fender strato MIM 2012, acho que irei fazer um bom negocio. Sou apaixonado por stratocasters e essa vai ser minha primeira FENDER de verdade rsrsrsrs ABRAÇOS.

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    1. Valeu brother. Apesar de hoje em dia eu estar à procura de outro conceito de guitarra (para sonoridades mais agressivas e high gain. Dê uma olhada também no post: http://guitarraemfoco.blogspot.com.br/2012/10/customizacao-da-minha-fender-mexicana.html) ainda mantenho minha opinião a respeito das Fender mexicanas. É claro, o ideal é poder testar a guita antes de comprá-la, pois com certeza em guitarras do mesmo lote pode haver alguma variação. Mas com certeza a Fender mexicana é uma strato de respeito (ao contrário de várias marcas por aí como Tagima, shelter, etc e também do que muitos dizem mal por aí na internet sem nunca ter tocado em uma). Sem falar que você pode pegar uma usada por bem menos de R$ 2000,00 hoje em dia e trocar os captadores por um jogo da série custom shop (texas special, lace sensor, custom shop 69, 57/62 etc...) e ter praticamente o som de uma fender americana. Se tiver um amp valvulado Fender ou Vox, aí então que o som de strato aparece mesmo.

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  3. ...toquei em uma dessas MEXICANA (duvida da qualidade de som antes) e gostei muito, ela e muito boa mesmo!!!!

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    1. Pois é. A galera faz a caveira dessa guitarra em alguns fóruns. Na maioria das vezes sem nunca ter tocado em uma. É uma strato muito boa.

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