terça-feira, 1 de outubro de 2013

Como me tornar um bom guitarrista?

Bom, antes de entrar propriamente no assunto, gostaria de observar aqui que é como eu sempre digo nos posts "comente, seu comentário enriquece o blog". O problema é que poucas pessoas comentam, talvez meus textos sejam muito chatos, mas tudo bem. Tem uma grande razão para que eu continue escrevendo aqui no blog, que é compartilhar o que eu aprendi nesse tempo em que sou guitarrista e deixar algumas ideias para reflexão no ar. Assim, se um leitor gostar de um texto meu e isso puder ajudá-lo a aprender alguma coisa, tirar uma simples dúvida ou conseguir enxergar um tema a partir de outros pontos de vista, todo meu trabalho já terá valido a pena. E disso tenho certeza, tem valido a pena.

O texto abaixo surgiu a partir de um e-mail que recebi de um visitante do blog que apesar de já dominar um bom conhecimento de guitarra como escalas, modos, harmonia etc... gostaria que eu desse sugestões de como se tornar um bom guitarrista. Então, compartilho o texto abaixo com os leitores do Guitarra em Foco. Não quis me prender a ideias como "faça tal exercício tantas vezes por dia", "use o metrônomo" ou "comece a 70 bpm e vá aumentando o andamento a medida que sentir mais confortável". Já tem blogs demais que falam sobre isto. Então preferi abordar alguns desafios que perpassam a cabeça de nós guitarristas durante o passar dos anos, e que é uma coisa menos palpável mas que acredito que possa ajudar bastante. Só uma ressalva: cada um passa por um processo de desenvolvimento particular e tem uma visão própria sobre isso. Então não tenho intenção de afirmar nada como verdade absoluta nesse post, ok?

O processo de se transformar em um bom guitarrista é algo pra vida toda, mas é claro que tem um ponto divisor de águas entre ser um guitarrista que conhece muita teoria e um guitarrista que sabe se expressar bem na guitarra, e (isso pode acontecer em bem menos tempo). O grande diferencial entre um bom músico e um músico comum é a maturidade musical.


Maturidade musical envolve tanto conhecimento teórico quanto outros fatores como a sua experiência como ouvinte (isso mesmo, ouvir música influencia bastante na forma de tocar), percepção auditiva, senso rítmico, senso melódico, fraseado, domínio do instrumento (para executar bem as técnicas de guitarra) e também o que eu acho mais importante: como você enxerga seu instrumento?

Por exemplo, tem guitarrista que enxerga a guitarra como uma metralhadora, quanto mais notas por segundo melhor. Outros fazem mais a linha B.B. King, poucas notas e muito sentimento. Já tem os caras do jazz,que não se interessam se são poucas ou muitas notas, mas seguem sempre a linguagem do jazz, do fraseado pensado acorde por acorde, em vez de ficarem presos à uma tonalidade. Então esse é o primeiro passo: se conhecer como guitarrista, ou seja, ter uma noção clara e assumida das suas influências musicais, dos seus estilos preferidos, e até mesmo dos seus músicos preferidos.

Outra coisa é ter noção das suas limitações e saber o que fazer para contorná-las. Alguns guitarristas são mestres em palhetada alternada, mas sentem alguma limitação em legato. Outros são mestres em ligados, mas não tem o mesmo domínio da palhetada alternada. Alguns dominam bastante os arpejos, outros o tapping, ou o two hands e assim por diante. É verdade que alguns conseguem dominar a maioria das técnicas. Mas sempre há alguma limitação, isso é inevitável. E é preciso aprender a conviver com isso, mas não basta apenas conviver, é preciso aprender a contornar os problemas.

Um terceiro ponto, que eu considero também muito importante é o "saber treinar". (leia mais sobre isso no post: Método de treinamento de guitarra: a tartaruga e o coelho).
De nada adianta treinar mil exercícios só de arpejo se em nenhum deles você alcança um estágio de desenvolvimento que lhe permita manter controle absoluto sobre a técnica. Muitas vezes um exercício apenas, treinado da forma correta e exaustivamente é muito mais proveitoso do que uma grande série de exercícios realizados de qualquer maneira.

Não menos importante, o instrumento também tem seu percentual de importância no desenvolvimento de um músico. Não adianta nada conhecer as técnicas e saber treinar corretamente se o instrumento é ruim ou está mal regulado. Na minha opinião o instrumento influencia em cerca de 50% da técnica do guitarrista. É lógico que um Steve Vai consegue tirar muito mais de uma Tonante do que um iniciante de uma Ibanez Jem. Mas com certeza o Steve Vai conseguirá executar suas frases com muito mais precisão e maestria na sua Ibanez de 3 mil dólares do que na Tonante com ação de cordas altas e entonação toda fudida.

Uma dica fundamental: não interessa qual é o modelo ou marca da sua guitarra, sempre é bom levá-la num luthier para uma regulagem. Não é muito caro e você terá a sensação de estar tocando em um instrumento de um nível muito mais elevado.

Bom se tiver mais alguma dúvida, mande outro e-mail. Posso até demorar um pouco pra responder, por conta do tempo, mas te responderei numa boa, valeu!

Outras dicas rápidas:

1) como você costuma aplicar as escalas que já sabe? utilizar patterns e licks é uma boa maneira de decorar as escalas enquanto se aprende novos vocabulários que podem salvar sua barra durante uma improvisação.

2) você sabe realmente utilizar os modos gregos? modos são bem mais do que simples variações do desenho da escala maior.

3) você domina os padrões rítmicos? treinar grupos rítmicos como colcheias, semicolcheias, tercinas e sextinas ajudam bastante a desenvolver fraseado e as demais técnicas. Saber usar as pausas também é fundamental.

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É isso aí meus caros leitores. Comentem, questionem. É isso que enriquece o blog. Um abraço!

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